quinta-feira, 1 de maio de 2014

Notas sobre improdutividade

Dia 1º de maio é o dia do trabalhador, dia de descanso merecido para quem rala de semana a semana para ganhar o pão de cada dia. Pensando nisso e observando a ausência de atualizações no blog por mais de um mês, cabem aqui algumas reflexões sobre improdutividade, a começar pela seguinte questão: no caso do artista, isso se trata ou não de preguiça?

Como profissional da arte posso afirmar que não. Sendo o artista um ser mais sensível do que as pessoas normalmente são [sensibilidade esta necessária para compreender e representar o mundo à sua maneira], fatores externos e internos alteram significativamente a sua produção – ou a ausência dela.

A relação entre as coisas é mesmo impactante no trabalho artístico. Sendo este um trabalho – geralmente – solitário, alguns pintores, desenhistas ou escultores, por exemplo, representam o que sentem em seu trabalho. Algo esporádico como um momento de muita dor ou sofrimento alteram a produção de maneira imprevisível: pode ser que as suas obras simplesmente passem a ser mais caóticas, sombrias ou grotescas, bem como pode acontecer justamente o contrário, de sua obra não ser, ou seja, de não haver mais produção.

Então não se trata necessariamente de ócio, moleza ou vadiagem, mas de uma incapacidade de criar que vai além do que se pode explicar.

A vida de artista realmente não é fácil. Há algum tempo li uma pesquisa que falava sobre as 10 profissões mais estressantes para se trabalhar no Brasil, e dentre elas estava qual? A de artista, por se tratar de algo muito desgastante, por não ser valorizado por boa parte da sociedade, por não trazer um retorno financeiro certo no final do mês (com suas exceções, claro), dentre outros fatores. Como se isso não fosse o bastante, uma outra profissão estava dentre as citadas, a de professor. [Como exerço as duas, dá pra imaginar o que isso significa em minha vida...].

Recentemente passei por um momento de improdutividade criativa que, por mais que tentasse, não conseguia produzir algo que considerasse realmente bom para compartilhar, ficando assim ausente e distante de uma das coisas que me movem não apenas como artista, mas como ser humano. Precisei dar tempo ao tempo e me distanciei um pouco das séries de trabalhos em andamento e de tantas ideias que tive nesse período que não consegui colocar em prática. É muito estranho olhar para tantos materiais sensacionais que possuo, como lápis, tintas e pinceis, todos da melhor qualidade, e não conseguir utilizá-los. [Na verdade, é muito mais frustrante do que qualquer outra coisa!].

Agora, com tudo no seu devido lugar, creio que essa fase ruim passou e a vontade [e capacidade] de produzir aflorou novamente em meu ser. Como eu sempre digo, paciência e persistência é tudo na vida. Afinal, não há noite suficientemente longa e escura que não se acabe com o raiar do dia.

Sem mais delongas, neste 1º de maio, vamos trabalhar, né?!

Abraços!