terça-feira, 13 de maio de 2014

"Selfie"

"Autorretrato", aquarela e guache sobre
Canson 300 g/m², 21 x 30 cm, 2014.

"Selfie" à maneira clássica, ou, em outras palavras, um autorretrato em aquarela.

Representar a si mesmo não é nenhuma novidade. Há alguns séculos (mais precisamente em 1433), o pintor Jean van Eyck iniciou esse tipo de trabalho na pintura. Depois disso, diversos outros artistas – ou não – fizeram o mesmo.

Hoje, com a popularização da fotografia, principalmente nos celulares, ela virou uma coisa tão banal que perdeu, de certa forma, o seu sentido, e os "selfies" corroboram significativamente para isso. Todavia, outros significados surgem com essas mudanças e agregam informações sobre as transformações do mundo em que vivemos.

A única coisa que me incomoda nisso tudo é o fato de que para essa nova geração – e para as anteriores que foram "contaminadas" pela instantaneidade do “click” – o que não é fotografado não existe. Em outras palavras, quando as pessoas não tiram fotos de algum (ou qualquer) momento e compartilham em uma rede social, elas mal conseguem o aproveitar e aquele instante parece ter menos graça.

A memória ainda é algo que eu cultivo, que me estimula a viver e a trabalhar como artista. Por isso, em certos momentos prefiro que o único registro visual seja aquele que reside na lembrança – mesmo isso sendo, de certa forma, uma contradição para alguém que representa (e se representa) por imagens. Seja como for, continuo acreditando nas famosas palavras do Pequeno Príncipe: “o essencial é invisível aos olhos”.