sábado, 7 de abril de 2012

Em processo: a última xilo (parte 1)

Voltando a falar sobre gravura, esta foi a última que produzi ano passado. Mas para não me alongar demais em uma única postagem, resolvi, como já vinha fazendo, mostrar o processo de gravação em duas partes.

Além do resultado final, eu gostei bastante da maneira como se deu o desenvolvimento da gravura. Tudo começou na reta final do semestre, com muita coisa acumulada e pouco tempo para resolver tudo. Como eu não queria terminar o ano com apenas três xilos, decidi que iria fazer – mesmo sem saber como – o estudo, a transferência, a gravação e a impressão da quarta.

Eu comecei, então, com um esboço que não durou muito tempo, feito apenas com lápis 2H (por isso o traço tão claro) no mesmo moleskine em que comecei a trabalhar nos primeiros estudos da série Natureza Íntima.


Se eu não me engano, eu comecei em uma quarta feira e terminei na sexta, apenas no horário de aula. E como fiz o desenho na universidade, acabei não usando nenhuma referência fotográfica. Foi tudo saindo espontaneamente (apesar da pressa), e o resultado me agradou bastante. Essa, porém, foi a parte fácil do negócio. O difícil seria gravar e imprimir a tempo, pois restava apenas uma semana de aula acabar o semestre.

Sabendo que cada cópia leva um tempo razoavelmente longo para secar, o último dia liberado para a impressão no ateliê seria na segunda, pois eu deveria recolher as gravuras do secador na quarta e entrega-las sexta. Resumindo: eu estava com um pepino enorme na mão (e no pior sentido da expressão!).

Só havia uma coisa a se fazer: trabalhar. E muito!

Assim sendo, peguei a matriz que, na verdade, era a mesma da gravura anterior, mostrada na postagem “Descorticação orbital”, e na mesma sexta em que eu terminei o desenho, lixei e deixei prontinha para trabalhar na parte da tarde.


Em seguida, fiz um esquema rápido de quadrícula e comecei a transferência para a madeira, centralizando a imagem e a expandindo para encaixar certinho. Isto é necessário porque depois de impressa, a gravura já fica naturalmente com um espaço vazio ao redor que, mesmo depois de ocupado pela moldura, não é preenchido.


Transferida a imagem, é impossível não reparar que as marcas do lápis, juntamente com as das três canetas porosas de cores diferentes, refletem a correria desenfreada em que trabalhei.

Enfim, não precisava ser nenhum guru para prever que o sábado seguinte não teria nada de aleluia, mas sim, de Deus nos acuda! Mas deixarei pare relatar minha agonia e êxtase na próxima postagem.