quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Again

"Sem título", caneta colorida e spray sobre skethbook.

Em momentos de desespero, o importante é dar o primeiro passo, mesmo quando ele parece te levar ao abismo.
Parece loucura ir em direção ao olho do furacão, mas, por mais estranho que pareça, é necessário fazer isto. Enfrentar os desafios é um mal necessário. Doloroso, maçante, sofrido, mas necessário.

Por isso, depois de alguns dias de novos vendavais, o bom filho retorna humildemente a sua casa. As aporias, contudo, não desapareceram por completo. Por completo? Quanto positivismo! Ao contrário, elas nunca desaparecem. Quando uma vai embora, sempre surge uma nova no lugar.

Por vezes eu me peguei pensando sobre o esforço demandado – por mais que não aparente – para manter a página sempre atualizada. A exposição virtual dos pensamentos verbais e visuais exige um tempo que nem sempre se encontra disponível, e a lógica de um blog, como todos sabem, é pautada nas postagens constantes. Afinal, para que voltar a um lugar que já se sabe exatamente o que vai encontrar?

Mas aconteceu algo engraçado estes dias. Em pouco mais de uma semana eu ouvi de umas 4 ou 5 amigos totalmente diferentes o mesmo comentário: “você não atualiza o blog faz tempo, hein?!”. A frase não era exatamente esta, mas o que importa é que, independente de qualquer coisa, tem sempre alguém voltando a este recinto por algum motivo. E isto me fez refletir sobre a maneira como estou organizando meu tempo.

Examinando um pouco melhor a situação, percebi que a maior lição que venho tirando da vida é que o bom mesmo é ter dúvidas, porque são elas que nos levam – ou pelo menos deveriam levar – a fazer escolhas, a arriscar e a lutar pelo que queremos. Quando aquele friozinho na barriga oriundo da hesitação do “fazer ou não fazer, eis a questão” nos incomoda a ponto de quase desistirmos, esta é a hora de olhar para frente e dar a cara à tapa com um novo primeiro passo em direção ao desconhecido.

É um mal do ser humano achar que no futuro as coisas estarão melhores, que no futuro terão a vida que gostariam de ter, que no futuro terão tempo para fazer o que não podem – sabe-se lá o porquê – fazer hoje. Eu prefiro ser mais dramático: se no futuro eu estiver morto, não aproveitarei o tempo que há de vir e tão pouco o tempo que estou vivendo.

Portanto, enquanto eu achar que vale a pena gasta, que vale o lápis apontado, que vale a tinta pincelada ou até a cola ressecada em um trabalho em que deu tudo errado, não me darei por vencido e retornarei a batalha. Contudo, não posso e não vou fazer previsões ou promessas, pois a impossibilidade de respostas claras só demonstra que no embate entre o certo e o duvidoso, a melhor opção, muitas vezes, está na segunda opção.