quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Urban sketch

Aproveitando o horário de almoço para um desenho rápido da paisagem urbana no meu novo - e não artesanal - sketchbook.

"Sem título", caneta bic sobre sketchbook, 2011.

Foi uma escolha difícil: eu durmo ou desenho?
Acabei seguindo a minha teoria de que dormir é perda de tempo e caí no traço.

Mas, apesar de ver o desenho concluído (que é sempre uma grande satisfação), confesso que a esta hora da noite bate um certo arrependimento quando me lembro da minha decisão.
É melhor não pensar para seguir adiante, ou melhor, para seguir acordado...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Pensamento da semana

"Vejo nas entrelinhas tudo aquilo que não é nada. Procuro sentir o sublime entre as crianças. A narrativa sublime é como uma música que preenche o ambiente e depois desaparece. Poderíamos até concluir que a atividade para a oficina de arte é “apenas” um pretexto para o surgimento de novas relações e a expressão livre de nossos sentimentos. No entanto, ao mesmo tempo, as crianças estão ocupadas, usando as mãos. Os materiais que são sentidos, tocados e manuseados não criam, necessariamente, uma “obra de arte” visível, mas “algo” próprio, que está além disso. Como adultos, precisamos melhorar nossa capacidade de ouvir. Ouse ouvir. Ouse sentir o que é sublime, o que vai além dos limites.

Gosto de estar no campo do desconhecido e imprevisível com as crianças. Muito daquilo que considero artístico e criativo é o que geralmente se considera "bagunça", e acaba sendo recolhido e jogado fora pelos adultos. A narrativa sublime é varrida junto com o original, o diferente, o vivo e o não adestrado. É aí que estão as energias e os valores artísticos, tudo o que as crianças inventam e as relações que estabelecem paralelamente às atividades de arte desenvolvidas. O sublime é isso."

Anna Marie Holm, em Baby-Art - os primeiros passos com a arte.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Oz

Depois de ver uma edição pop-up – sensacional, diga-se de passagem – do Mágico de Oz que meu sobrinho ganhou no seu aniversário, fiquei tão extasiado que quase roubei o livro para mim. Mas como era meu sobrinho, eu acabei ficando com dó de tirar pirulito de criança.

Enquanto folheava o livro, eu comecei, sem muitas pretensões, a desenhar os personagens da história no sketchbook de bolso e, quando percebi, já estava levando o desenho mais a sério do que imaginei. Assim, resolvi trabalhar melhor o esboço inicial em casa e o concluí agora a pouco.

"Oz", grafite sobre sketchbook, 2011.

Como o desenho é muito pequeno, resolvi trabalhar com lapiseira 0,3 para acrescentar muitos detalhes. Por isso, apesar de ser um sketchbook de “passeio” e de esboços, passei de 3 a 4 horas trabalhando nesta imagem. Para se ter uma ideia melhor, basta observar a foto abaixo.


Como gosto cada vez mais de utilizar meus cadernos para trabalhos definitivos, não me senti, de maneira nenhuma, desestimulado com o formato reduzido, pois acredito que um desenho pequeno – assim como acontece muito com a gravura em metal que é, geralmente, pequena – chama o olhar do observador e o traz para mais perto do trabalho, criando uma intimidade e evitando o olhar rápido que enxerga tudo, mas nada vê.

Claro que eu não pude evitar e deixei o desenho bem aos meus moldes, meio bizarro e sem muitas frescuras. O problema é que, analisando melhor, os personagens não parecem do Mágico de Oz, mas sim, da série Oz da HBO. Para quem não conhece, Oz mostra o cotidiano de uma prisão americana de segurança máxima bem no estilo “sexo, drogas, muita violência e rock and roll”... Neste caso, o Homem de Lata, que está com um braço arrancado, o Espantalho, com cara de maníaco e o Leão (nada covarde), com a cara de “ai se eu te pego”, só indicam uma coisa: esta Dorothy vai rodar logo logo...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Demorei, mas desenhei

"Felipe", pastel, sanguínea, sépia, carvão e grafite sobre sketchbook, 2011.

Depois de alguns meses – para falar a verdade, alguns muitos meses! – de atraso, em homenagem ao meu sobrinho e afilhado Felipe que completou ontem 5 anos, terminei agora a pouco um desenho seu a partir de uma foto de quando ele ainda era recém nascido. Ele foi o primeiro a nascer, mas, não sei o porquê, só o representei agora.

A primeira cobaia nesse processo foi minha sobrinha Rebeca. Eu a desenhei a partir de referência fotográfica, assim como fiz com todos os outros. Mas apesar de a foto ter sido tirada por mim mesmo em seu primeiro dia de vida – 30 de julho de 2008 –, somente em 2010 eu resolvi retratá-la. O trabalho pode ser visto na postagem que levou seu nome, “Rebeca”.

Já no ano passado, nasceu meu sobrinho Lucas, irmão da Rebeca. Aí, sim, eu o desenhei e postei o resultado no mesmo dia do seu nascimento, 8 de agosto, na postagem intitulada “Chegou!”.

Pouco mais de um mês depois, nasceu minha sobrinha Letícia, irmão do Felipe, em 22 de setembro. Mais uma vez eu marquei presença no hospital logo no dia da chegada, e, claro, aproveitei para fotografar seu rostinho lindo. Na semana seguinte, eu a desenhei e compartilhei o trabalho na postagem “O milagre da vida”.

Todos os desenhos foram feitos com pastel, sanguínea, sépia, carvão e grafite, em páginas de papel kraft do mesmo sketchbook – o primeiro que fiz e que ainda encontro algumas páginas para rabiscar. Neste processo, ao contrário do que diz o ditado, os primeiros foram os últimos. Mas isto é apenas um detalhe. O importante é que agora eu estou aguardando os próximos sobrinhos para dar sequência ao trabalho...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Para entrar no clima do carnaval

Para entrar no clima festivo do carnaval, um desenhinho pequenininho, mas todo engraçadinho... Que fofinho!

"Kung Pum Panda", grafite sobre sketchbook, 5,5 x 7,5 cm.

Que mané fofinho... É muita cretinice, isso sim!

Este desenho foi feito durante a prova de um concurso no final do ano passado, a terceira etapa do PAS. Ele não entrou na sessão de retrospectiva porque como eu disse na primeira postagem sobre o tema neste ano, a ideia era apresentar desenhos que estavam perdidos, ou melhor, esquecidos no sketchbook. Mas como esse daqui eu me recordava perfeitamente, resolvi mostrar no momento oportuno.

Eu me lembro que estava só pelo corredor enquanto os candidatos faziam as provas, e depois de algum tempo sem conversar nada com ninguém, recebi aquele lanche magnífico do Cespe. Nele, além do suquinho quente, veio também um wafer – também muito cretino, diga-se de passagem – do Kung Fu Panda. Na verdade, do Kung Fu Panda 2! (Como se isso mudasse alguma coisa, né?!)

Depois de ficar distraído observando a embalagem do biscoito, resolvi fazer melhor – ou não – e acabei esboçando esta palhaçada no sketchbook.
O pior de tudo é que olhando com mais atenção, percebi que o local que apresentava o nome do personagem, que eu acabei mudando para o nome do concurso, ficou parecendo outra coisa. Posso dizer, então, que eu acabei fazendo uma releitura da “obra”, a qual eu chamei de Kung “Pum” Panda.

Assim, eu concluo mais uma vez com a discussão: quem disse que artista só faz arte todo o tempo?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Natureza em três etapas

Depois de uma eternidade parado, fiz novamente um exercício que até havia esquecido: desenhar a natureza in locus.
É bom respirar um ar mais puro, ouvir o som dos pássaros cantando livremente, sentir a brisa do vento à sombra das árvores. Esta é sempre uma experiência válida, mesmo quando a paisagem não é apenas natural e possui algumas intervenções humanas.

Fiz o desenho abaixo há umas três semanas na chácara da minha irmã, e acabei utilizando um processo diferente do meu usual. Geralmente, eu desenho primeiro para depois pintar à aquarela. Mas neste caso eu fui diretamente com a tinta sobre o moleskine, o que não proporcionou uma precisão muito grande para a imagem.


Em seguida - ou melhor, alguns dias depois -, eu continuei o desenho com caneta nanquim, traçando algumas linhas básicas e algumas hachuras, mas ainda de leve, sem muitos detalhes.


Por fim, escureci as hachuras e defini - ou não - algumas partes, como a grama, as folhas e a sombra das árvores.


Preciso voltar a praticar e a fazer este tipo de exercício. É bom para desenvolver a técnica, é bom para a mente, e é bom para a alma.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Again

"Sem título", caneta colorida e spray sobre skethbook.

Em momentos de desespero, o importante é dar o primeiro passo, mesmo quando ele parece te levar ao abismo.
Parece loucura ir em direção ao olho do furacão, mas, por mais estranho que pareça, é necessário fazer isto. Enfrentar os desafios é um mal necessário. Doloroso, maçante, sofrido, mas necessário.

Por isso, depois de alguns dias de novos vendavais, o bom filho retorna humildemente a sua casa. As aporias, contudo, não desapareceram por completo. Por completo? Quanto positivismo! Ao contrário, elas nunca desaparecem. Quando uma vai embora, sempre surge uma nova no lugar.

Por vezes eu me peguei pensando sobre o esforço demandado – por mais que não aparente – para manter a página sempre atualizada. A exposição virtual dos pensamentos verbais e visuais exige um tempo que nem sempre se encontra disponível, e a lógica de um blog, como todos sabem, é pautada nas postagens constantes. Afinal, para que voltar a um lugar que já se sabe exatamente o que vai encontrar?

Mas aconteceu algo engraçado estes dias. Em pouco mais de uma semana eu ouvi de umas 4 ou 5 amigos totalmente diferentes o mesmo comentário: “você não atualiza o blog faz tempo, hein?!”. A frase não era exatamente esta, mas o que importa é que, independente de qualquer coisa, tem sempre alguém voltando a este recinto por algum motivo. E isto me fez refletir sobre a maneira como estou organizando meu tempo.

Examinando um pouco melhor a situação, percebi que a maior lição que venho tirando da vida é que o bom mesmo é ter dúvidas, porque são elas que nos levam – ou pelo menos deveriam levar – a fazer escolhas, a arriscar e a lutar pelo que queremos. Quando aquele friozinho na barriga oriundo da hesitação do “fazer ou não fazer, eis a questão” nos incomoda a ponto de quase desistirmos, esta é a hora de olhar para frente e dar a cara à tapa com um novo primeiro passo em direção ao desconhecido.

É um mal do ser humano achar que no futuro as coisas estarão melhores, que no futuro terão a vida que gostariam de ter, que no futuro terão tempo para fazer o que não podem – sabe-se lá o porquê – fazer hoje. Eu prefiro ser mais dramático: se no futuro eu estiver morto, não aproveitarei o tempo que há de vir e tão pouco o tempo que estou vivendo.

Portanto, enquanto eu achar que vale a pena gasta, que vale o lápis apontado, que vale a tinta pincelada ou até a cola ressecada em um trabalho em que deu tudo errado, não me darei por vencido e retornarei a batalha. Contudo, não posso e não vou fazer previsões ou promessas, pois a impossibilidade de respostas claras só demonstra que no embate entre o certo e o duvidoso, a melhor opção, muitas vezes, está na segunda opção.