segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Puro sangue

“Há males que vêm para o bem”, já dizia o ditado. No meu caso, não sei se veio exatamente para o bem, mas sei que foi, no mínimo, divertido.

Enquanto assistia a uma aula de Psicologia da Educação no semestre passado, eu tentei aproximar a mesa que faz parte da cadeira universitária do encosto (que, teoricamente, seria móvel) para ficar mais confortável. O problema é que a mesa estava emperrada, e quando ela resolveu se mexer foi só pra arrancar a lateral do meu dedo...

Claro que não foi nada demais, mas como minha mão não parava de sangrar, comecei a viajar e a usar o caderninho de bolso para registrar de uma forma diferente a minha interioridade.

"Sem título", sangue acidental sobre sketchbook.

Trocadilhos a parte, enquanto fazia este “desenho” com manchas, lembrei-me do genial Yves Klein, um artista francês que é considerado um dos precursores da arte contemporânea. Dentre os seus trabalhos, os da série Anthropométrie estão entre os que eu mais gosto. São pinturas performáticas em que o artista entintava o corpo de mulheres nuas (ou pedia para que elas se pintassem) e depois fazia com que elas encostassem em telas brancas de acordo com a sua orientação. O resultado é magnífico, como mostrado abaixo.

Yves Klein, "Anthropométrie sans titre", 1960 (detalhe)

É claro que a ideia era muito mais complexa do que parece, e isto pode ser notado a partir do vídeo abaixo que mostra mais ou menos como ele trabalhava.


Na falta de mulheres nuas no meio da aula para a realização desta atividade lúdica, tive que me virar sozinho. Mas que fique aqui registrado o meu descontentamento com tamanho absurdo e revolta contra este ensino tradicionalista e ultrapassado...