terça-feira, 29 de maio de 2012

The Sound Of Silence

Depois de um dia escutando música e fazendo algumas outras tarefas nada artísticas, quando a noite de ontem foi caindo, o silêncio foi reinando. O estranho foi que parecia que o silêncio não estava apenas ao meu redor - ou na minha cabeça -, mas no mundo inteiro.

Quando a música eletrônica acabou, não sei o porquê, mas eu só conseguia lembrar de uma música: "The Sound Of Silence", de Simon & Garfunkel, um clássico que até assusta por tamanha beleza e profundidade.

Então, já perto de meia noite e com o som do silêncio na cabeça, fiz o desenho abaixo bem rápido, mas que gostei bastante do resultado.

"The Sound Of Silence", nanquim prata e 
estêncil com spray sobre sketchbook.

E, por fim, para não passar em branco, a letra da canção.

Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains within the sound of silence

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp

When my eyes were stabbed
By the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening

People writing songs
That voices never share
And no one dare
Disturb the sound of silence

"Fools" said I, "you do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach to you"
But my words like silent raindrops fell
And echoed in the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon God they made
And the sign flashed out it's warning
And the words that it was forming

And the sign said
"The words of the prophets
Are written on the subway walls
And tenement halls"
And whispered in the sound of silence


Simon & Garfunkel, "The Sound Of Silence".

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Pra sacudir o esqueleto!

Depois de uma balada totalmente old school no final de semana, vim atualizar esta bagaça e percebi que esta seria a “duzentésima” postagem! (Ou a de número 200, para ninguém desconfiar que o português aqui passou longe.)

Aproveitando a deixa, dei uma passeada pelo blog para rever as postagens antigas e matar a saudade lá do comecinho (ou nem tanto assim, dependendo do que foi postado...). Ao mesmo tempo, enquanto chafurdava no baú, fui revirando minhas músicas e redescobrindo algumas velharias que eu nem lembrava que existiam – muito menos que eu as tinha.

Assim, decidi fazer um set só com músicas bem antigas dos anos 80 e 90 para comemorar. A mixagem foi do pop ao rock, do reggae ao hip hop, da balada à música eletrônica sem se preocupar muito com o estilo musical ou com uma ordem cronológica, já que o meu objetivo era única e exclusivamente se divertir.

A tracklist ficou assim:

01. Intro by Netinho
02. Shaggy - Mr. Bombastic
03. Afroman - Because I Got High
04. El General - Pu Tun Tun
05. Inner Circle - Bad Boys (Cops Theme Song)
06. Midi, Maxi & Efti - Bad Bad Boys
07. Los Del Rio – Macarena
08. Pato Banton - Go Pato
09. 2 Live Crew - Do Wah Diddy
10. Trio - Da Da Da
11. Right Said Fred - I'm Too Sexy
12. Dee Lite - Groove Is In The Heart
13. OMC - How Bizarre
14. Smash Mouth - Walking On The Sun
15. Shampoo – Trouble
16. Apache Indian - Boom Shack a Lack
17. Lou Bega - Mambo #5
18. Rick James – Super Freak
19. Mc Hammer - U Can't Touch This
20. Fatboy Slim - The Rockafeller Skank

Agora é só apertar o play e sacudir o esqueleto pra ficar na crista da onda como nos velhos tempos.


Para escutar no próprio blog, basta clicar na imagem acima. Se preferir fazer o download, clique em 4shared no menu do lado esquerdo do blog ou acesse o link diretamente no endereço netinhomaia.4shared.com.

terça-feira, 8 de maio de 2012

8 de maio: dia do Artista Plástico


Eu poderia justificar com diversos argumentos a importância da arte para a sociedade ou do artista e de seu árduo trabalho.
Mas eu já disse isso muitas outras vezes.

Este ano eu prefiro fazer diferente: prefiro silenciar e curtir, mesmo que no finalzinho do dia, a alegria de estar sempre em contato com o que me move.
Não se trata de protesto, de tristeza ou de desilusão. É apenas um outro tipo de contentamento por mais um ano neste caminho de dualidades, de sucesso e esquecimento, de exposição e solidão, de guerra e de paz.

8 de maio: dia do Artista Plástico.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

"Seu Lunga" no batente

Aproveitei o dia de hoje, que é aniversário de um grande amigo, o artista Wesley de Souza, para postar um de seus trabalhos que eu gosto muito, um autorretrato na técnica da xilogravura.

Wesley de Souza, "Sem título", xilogravura, 26x34cm, 2011.

O trabalho, primeiramente, impressiona pelo tamanho, 26 x 34 cm. Não que não existam gravuras maiores do que esta, mas como eu acompanhei todo o processo de gravação (extremamente lento e trabalhoso), acabei admirando ainda mais o resultado. E depois, chama atenção também pela qualidade de cada um dos detalhes, sejam aqueles observados no nosso velho e familiar cenário coletivo, sejam os da sua própria representação, como o uso da perspectiva, o drapeado das roupas ou a garrafinha de água na mochila. E, como se não bastasse, o cara ainda mandou uma sombra em negativo ali no chão que ficou sensacional!

Se não fosse pela cabeça chata do "Seu Lunga" (que serviria de suporte para bater bife ou para carregar uma lata d’água perfeitamente), o trabalho teria ficado ainda melhor. Mas, vendo pelo lado positivo, poderia ser pior se ele estivesse de frente... (Putz, isto tá mais parecendo uma sacanagem do que uma homenagem! LOL)

Parabéns novamente, Capa. E que este seja um ano de muita produção para nós.

domingo, 6 de maio de 2012

Mais um corte facial

Mais um processo de descorticação facial, um estudo “de verdade”, como eu disse em outra postagem.

Comecei com um esquema rápido dentro do ônibus para delimitar a estrutura do rosto, assim como o local da descorticação. Optei por trabalhar com um corte irregular e assimétrico para testar mais uma possibilidade e encontrar novos meios de representação.


Já em um local mais calmo, iniciei um sombreado rápido com hachuras cruzadas, sem muitos detalhes ou traços precisos. Desenhei também o cabelo enfatizando o volume para contrapor a região da cabeça sem pele. Achei muito estranho, ou seja, muito bom para o desenho.


Ainda fora do “quarteliê”, mas não no mesmo dia, terminei o sombreado do rosto com bastante contraste. Focando na região ocular, a ideia era expressar o inexpressável, um olhar frio e distante, sem sentimento. O diferencial está realmente no cabelo, que demonstra uma personalidade sedutora que não acompanha o resto da imagem.


Por fim, com auxilio de um atlas de anatomia, terminei o desenho colocando os músculos do rosto, ao contrário de alguns outros estudos em que eu preferi representar os ossos.


Apesar de as cores fazerem muita falta em um caso como este, o grafite era o mais indicado para o modo como o trabalho foi feito. Ele é prático, não faz sujeira, não ocupa muito espaço na mochila, e caso aconteça algum problema – de cair dentro do ônibus, por exemplo –, não custa tão caro assim. Por isso, não importa quantos bons materiais existam, ter um velho e bom lápis sempre a mão é imprescindível.

sábado, 5 de maio de 2012

To another galaxy, MCA

Voltando aos trabalhos, mas não tão feliz quanto gostaria.

Conversado com uma aluna esta semana, eu me toquei do tempo que o blog estava abandonado. Ela estava comentando comigo que encontrou, por acaso, a imagem da postagem Devaneios Submersos na internet, e só depois descobriu que o desenho e o blog são meus. Nós comentamos sobre o trabalho e, em seguida, ela me disse: “ou, mas tá na hora de voltar a postar de novo, hein?! Já faz quase um mês que não tem nada de novo por lá”. Na hora eu fiz o que deveria fazer: fiquei calado e concordei com ela.

Eu cheguei em casa decidido a postar alguma coisa no blog no final de semana, mas não sabia ainda o quê. No dia, sexta feira, já na hora de dormir, deitei e, como de costume, programei a TV para desligar. Eu já estava de olhos fechados quando ouvi uma notícia no jornal que me fez pular da cama (literalmente): “Vocalista do Beastie Boys, Adam Yauch, morre aos 47 anos”. Naquele momento eu senti a tristeza de saber que mais um dos meus ídolos partiu desta para melhor. Foi a inspiração que me faltava – mas que eu preferia não ter – para voltar a postar.

Considerada uma das melhores e mais influentes bandas de hip hop de todos os tempos, Beastie Boys colecionou importantes prêmios como Grammys e MTV Video Music Awards em seus 33 anos de existência. E isto é perfeitamente compreensível quando se observam suas letras agressivas, críticas e irônicas, juntamente com suas batidas ecléticas que variam do punk ao samba.

Eu conheci a banda ainda criança, mas na época não sabia quase nada sobre ela, já que apenas escutava as músicas que gravava do rádio em fita k7. Alguns anos depois, já adolescente, eu comprei o cd que é considerado uma de suas obras primas, sucesso de público e de crítica, Hello Nasty. Deste álbum, a música mais conhecida – e uma das que eu mais gosto – é Intergalactic, faixa que satiriza com muito bom humor aqueles antigos seriados japoneses com um caráter propositadamente tosco. E foi a partir desta música que deixei a minha pequena homenagem registrada no moleskine, compartilhada agora aqui no blog.

"To another galaxy", aquarela e nanquim
sobre Moleskine, 2012.

Para quem quiser assistir, abaixo disponibilizei o vídeo deste que, para mim, é um dos melhores clipes já produzidos. Para quem não conhece a banda, depois de vê-lo o desenho fica mais compreensível.


Músico, compositor, produtor, diretor e ativista político, MCA, como era mais conhecido, vai deixar saudades nesta galáxia...

In a world gone mad it's hard to think right
So much violence hate and spite
Murder going on all day and night
Due time we fight the non-violent fight.


Beastie Boys, "In a World Gone Mad".

domingo, 8 de abril de 2012

Pensamento da semana

"Os mergulhos psicanalíticos, a decifração da imagem pelos labirintos semiológicos, os reducionismos da obra de arte às questões históricas e sociais, os idealismos de que as imagens se originam de imagens e seguem indiferentes aos clamores humanos individuais e coletivos, enfim, todas essas leituras — e existem outras — o nome já as define bem, são leituras da obra de arte. Necessárias. Importantes. No entanto, são aproximações, camadas reveladoras da criação artística.

Essas abordagens diferenciadas não invalidam o fato de que a leitura da imagem possui uma iniciação metodológica e que, acima de tudo, é aptidão adquirida; uma capacidade adestrada e cultivada."

Rui de Oliveira, em A arte de ilustrar livros para crianças e jovens.

sábado, 7 de abril de 2012

Em processo: a última xilo (parte 1)

Voltando a falar sobre gravura, esta foi a última que produzi ano passado. Mas para não me alongar demais em uma única postagem, resolvi, como já vinha fazendo, mostrar o processo de gravação em duas partes.

Além do resultado final, eu gostei bastante da maneira como se deu o desenvolvimento da gravura. Tudo começou na reta final do semestre, com muita coisa acumulada e pouco tempo para resolver tudo. Como eu não queria terminar o ano com apenas três xilos, decidi que iria fazer – mesmo sem saber como – o estudo, a transferência, a gravação e a impressão da quarta.

Eu comecei, então, com um esboço que não durou muito tempo, feito apenas com lápis 2H (por isso o traço tão claro) no mesmo moleskine em que comecei a trabalhar nos primeiros estudos da série Natureza Íntima.


Se eu não me engano, eu comecei em uma quarta feira e terminei na sexta, apenas no horário de aula. E como fiz o desenho na universidade, acabei não usando nenhuma referência fotográfica. Foi tudo saindo espontaneamente (apesar da pressa), e o resultado me agradou bastante. Essa, porém, foi a parte fácil do negócio. O difícil seria gravar e imprimir a tempo, pois restava apenas uma semana de aula acabar o semestre.

Sabendo que cada cópia leva um tempo razoavelmente longo para secar, o último dia liberado para a impressão no ateliê seria na segunda, pois eu deveria recolher as gravuras do secador na quarta e entrega-las sexta. Resumindo: eu estava com um pepino enorme na mão (e no pior sentido da expressão!).

Só havia uma coisa a se fazer: trabalhar. E muito!

Assim sendo, peguei a matriz que, na verdade, era a mesma da gravura anterior, mostrada na postagem “Descorticação orbital”, e na mesma sexta em que eu terminei o desenho, lixei e deixei prontinha para trabalhar na parte da tarde.


Em seguida, fiz um esquema rápido de quadrícula e comecei a transferência para a madeira, centralizando a imagem e a expandindo para encaixar certinho. Isto é necessário porque depois de impressa, a gravura já fica naturalmente com um espaço vazio ao redor que, mesmo depois de ocupado pela moldura, não é preenchido.


Transferida a imagem, é impossível não reparar que as marcas do lápis, juntamente com as das três canetas porosas de cores diferentes, refletem a correria desenfreada em que trabalhei.

Enfim, não precisava ser nenhum guru para prever que o sábado seguinte não teria nada de aleluia, mas sim, de Deus nos acuda! Mas deixarei pare relatar minha agonia e êxtase na próxima postagem.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Primeiro estudo para descorticar crianças


Este poderia ser mais um daqueles trabalhos a entrarem na retrospectiva no início deste ano. Mas como ele não fazia parte da categoria de trabalhos “perdidos” ou esquecidos, eu acabei deixando para postá-lo em outro período – no caso, agora.

Quando, no ano passado, eu postei dois trabalhos sob o título “Estudos para descorticar crianças”, este desenho já estava pronto. Na verdade, foi a primeira criança a ser descorticada, algo que gostei muito de fazer, pois foi um processo diferente da descorticação de um rosto adulto e que gerou um impacto diferente nas pessoas que observavam o resultado final. Mas o que eu gostei mais não foi o fato de ter sido uma criança, e, sim, de ser um negro desenhado em grafite.

A pele negra tem uma beleza ímpar que necessita de alguns cuidados especiais durante o desenho. Eu descobri que é preciso ter um controle absoluto da técnica para não borrar ou estragar o trabalho durante o processo, pois quando se utiliza lápis extremamente macios – acima do 6B –, até olhar de mau jeito para o desenho pode borrá-lo. Para quem não tem ideia do que é isso, posso afirmar que depois de algumas horas de dedicação, passar o dedo ou a mão em cima do papel e perceber aquela mancha saindo do rosto para o fundo do papel, ou juntando o sombreado da sobrancelha com o branco do olho, por exemplo, não é nada agradável. A primeira coisa que passa pela cabeça é: “putz, eu merecia uma eutanásia agora!” Mas como isso é demais, pensamos em jogar o caderno fora. Como isto também é demais, pensamos só em rasgar a folha. E como isso não é possível de ser feito em cadernos costurados (além de que deixaria o caderno incompleto), também não o fazemos. Só resta xingar e ficar puto consigo mesmo depois da besteira feita. (Já fica aqui a dica para quem está olhando um sketchbook ou um desenho qualquer: jamais toque no desenho, nem que a curiosidade esteja te matando! Pegue apenas no cantinho do papel para que a gordura natural do seu dedo não estrague o trabalho do coleguinha.)

Eu até lembrei-me do meu professor de gravura comentando sobre o trabalho de impressão, dizendo que depois de 40 minutos imprimindo uma xilogravura a mão, com toda a paciência do mundo, chegar ao final e encontrar uma protuberância ou imperfeição na matriz que faz rasgar o papel é algo tão estressante que daquele momento em diante, o seu dia acabou; pode ir fazer outra coisa tipo lavar uma pilha de louças sujas ou varrer o quintal, porque qualquer tarefa artística depois do trauma dará errado!

Digressões a parte, o que importa disto tudo para mim é que hoje, quando olho o estudo acima, já não sinto mais a mesma empolgação da época que o fiz, pois, como deve ser, eu já consigo observar muitos detalhes que faria diferente. E isto, de enxergar o que passou sob um olhar crítico que permite futuras mudanças, é o mais importante, seja na arte, seja na vida.

sábado, 31 de março de 2012

Não adianta reclamar

"Sem título", lápis de cor sobre sketchbook, 2011.

Mais um desenho daqueles que surgem no meio da rua.
Comecei na parada de ônibus, continuei no balanço do buzão, parei algumas horas.
Voltei ao ponto, tirei o lápis de cor solitário do bolso, rabisquei mais um pouco, desenhei novamente no baú, cheguei em casa e deixei o trabalho parado por uns dias.
Retomei agora a pouco e, depois de alguns minutos, finalizei-o.

O tempo de espera no ponto de ônibus aqui em Brasília, assim como o tempo perdido no coletivo, pode ser muito grande. Então é melhor reclamar menos e ocupar mais a mente. Uns usam as palavras cruzadas ou o sudoku, outros preferem ler, algo que fiz por muito tempo. Entretanto, atualmente os desenhos rápidos e sem traços precisos têm sido uma boa forma de viajar (no meu mundo, claro). Tanto que, por incrível que pareça, algumas vezes eu já cheguei a pensar: "putz, já tô chegando? Não acredito que vou ter que parar o desenho logo agora!".

Enfim, como diz o ditado: você é o que você faz, e não o que você diz. E o que estou fazendo agora está no papel... e aqui no blog também.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Fuleiro, mas ta valendo


Desenho vagabundo, feito em um papel vagabundo e com um pincel e um nanquim vagabundo para acompanhar.
Fiz apenas para não perder o que sobrou da tinta no copinho descartável de café (de muita qualidade, diga-se de passagem) depois de uma atividade com as crianças de uma das escolas em que trabalho.
Como o nanquim é muito tóxico, neste caso é melhor que não seja de muita qualidade mesmo, pois é mais seguro para elas.

O motivo não é novo (para manter a tradição). Mas para um desenho de 10 minutos feito entre uma aula e outra sem muitas pretensões, até que não tá nada mau.

É como eu sempre digo: enquanto eu descanso, carrego pedra. Se quisesse moleza, sentaria no pudim...

domingo, 25 de março de 2012

Pensamento da semana

“Nós vemos conforme a nossa ordem social nos deixa compreender. Ou seja, as nossas percepções refletem ou simbolizam o comportamento de uma determinada cultura. É através da arte que estas percepções se expressam; a arte dá a conhecer a forma visual da nossa experiência social. Portanto a arte é uma expressão dos valores apercebidos de um processo sociocultural de uma determinada época da história.”

Burne Hogarth, em Luz e sombra sem dificuldade.

sábado, 24 de março de 2012

E o salário, ó!

Meus heróis não morreram de overdose. Pelo menos não todos eles.

"E o salário, ó!", aquarela e nanquim
sobre moleskine, 2011.

Assistindo a um jornal ontem à noite, eu me surpreendi com a notícia da morte de Chico Anysio. Para mim, independente do que a mídia sensacionalista – que na maioria das vezes só está interessada em audiência – fala, o fato repercutiu na minha cabeça de uma maneira saudosista.

Algumas coisas do dia a dia me lembram muito de uma época distante, um passado que pouco a pouco se torna difuso e esquecido em minha vida. Eu, infelizmente, tenho poucas lembranças de meu pai, já que o nosso contato foi cortado logo cedo. Mas algumas situações, algumas músicas, alguns programas de televisão e/ou alguns artistas trazem sempre uma ou outra recordação feliz de minha infância ao seu lado. Mas como o tempo não anda só para mim, “a indesejada das gentes” mais cedo ou mais tarde bate a nossa porta. E dessa vez foi na do velho Chico. Fazer o quê, né?

Hoje decidi fazer uma caricatura para homenageá-lo – não é o meu forte, mas eu tentei assim mesmo. Ou poderia ser para homenagear outra época, outras pessoas, outros mundos... Enfim, a gente cresce, as coisas mudam. A única que permanece a mesma é aquela tão pronunciada pelo professor Raimundo...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Voltando a descorticar

A semana começou assim: trampo (muito trampo!), cansaço, sono e, para acompanhar, uma preguicinha justificável. Mas como agora eu to voltando à ativa, resolvi fazer diferente.

Aproveitando aquele momento raro de bus vazio, indo sentado confortavelmente (essa parte é mentira, só para florear a história mesmo) para o segundo emprego do dia, comecei a desenhar sem muitas pretensões. Mas acabei gostando e decidi continuar no horário de almoço do mesmo dia – terça feira – e do dia seguinte. O resultado foi este mostrado logo abaixo.


Não preciso falar que este foi um estudo “de verdade” para a série Natureza Íntima, como há algum tempo eu não fazia. E apesar de eu não ter usado referência fotográfica, gostei bastante do trabalho finalizado.

Os detalhes são os mesmos que sempre procuro representar: a seriedade de um olhar distante que acompanha uma inexpressão facial como um todo, de modo que o olhar do observador foque na descorticação, que pode ser sutil ou bem exagerada. Neste caso, ela figura no canto superior esquerdo da cabeça e desce pela lateral, sem simetria ou proporção, o que tira um pouco do impacto visual à primeira vista. Entretanto, um detalhe que ressaltei para reforçar o lado grotesco foi a falta da orelha esquerda devido ao corte escolhido, algo que deixou o personagem um pouco mais excêntrico.

Enfim, eu não pude postar o processo do desenho porque eu não o fiz em casa, mas já comecei um outro (também dentro do ônibus) que devo detalhar um pouco mais cada uma das etapas. Mas, seja como for, este já entrou para a lista de espera dos trabalhos que pretendo pintar ainda este ano, e já estou ansioso para isso.

sábado, 10 de março de 2012

Estudo em vermelho

"Sem título", sanguínea sobre sketchbook, 2011.

Desenho rápido feito em sanguínea sobre sketchbook, ainda experimentando novas possibilidades em vermelho.

A ausência do branco no fundo e o tom enferrujado da sanguínea acentuaram o tom dramático que tentei representar, principalmente, pelo olhar vazio e distante.

Este relacionamento que está surgindo com meu novo sketchbook - que é de espiral, algo que não me agrada muito -  ainda está tímido, mas tem tudo para crescer com o passar do tempo. Assim espero...

terça-feira, 6 de março de 2012

O meu olhar


Ilustração rápida feita para um projeto que iniciará nesta semana em uma das escolas em que trabalho.

O desenho foi a parte fácil. O difícil foi reproduzi-lo sozinho em uma escala bem maior que o original no moleskine, mais ou menos 1,8 x 2,5 metros, eu acho.

A ideia era fazer um desenho que simbolizasse a construção do futuro aliando a tecnologia à natureza a partir do estudo e da leitura. Mas como o texto ainda não tinha sido escolhido, eu coloquei por minha conta (apenas no meu desenho e aqui no blog) um poema de minha escolha, de Alberto Caeiro, um heterônimo de Fernando Pessoa.


No sketchbook eu não consegui escrever o poema inteiro por conta do tamanho da página, mas abaixo ele pode ser lido na íntegra (muito bom, diga-se de passagem).


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro, "II - O Meu Olhar".

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Urban sketch

Aproveitando o horário de almoço para um desenho rápido da paisagem urbana no meu novo - e não artesanal - sketchbook.

"Sem título", caneta bic sobre sketchbook, 2011.

Foi uma escolha difícil: eu durmo ou desenho?
Acabei seguindo a minha teoria de que dormir é perda de tempo e caí no traço.

Mas, apesar de ver o desenho concluído (que é sempre uma grande satisfação), confesso que a esta hora da noite bate um certo arrependimento quando me lembro da minha decisão.
É melhor não pensar para seguir adiante, ou melhor, para seguir acordado...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Pensamento da semana

"Vejo nas entrelinhas tudo aquilo que não é nada. Procuro sentir o sublime entre as crianças. A narrativa sublime é como uma música que preenche o ambiente e depois desaparece. Poderíamos até concluir que a atividade para a oficina de arte é “apenas” um pretexto para o surgimento de novas relações e a expressão livre de nossos sentimentos. No entanto, ao mesmo tempo, as crianças estão ocupadas, usando as mãos. Os materiais que são sentidos, tocados e manuseados não criam, necessariamente, uma “obra de arte” visível, mas “algo” próprio, que está além disso. Como adultos, precisamos melhorar nossa capacidade de ouvir. Ouse ouvir. Ouse sentir o que é sublime, o que vai além dos limites.

Gosto de estar no campo do desconhecido e imprevisível com as crianças. Muito daquilo que considero artístico e criativo é o que geralmente se considera "bagunça", e acaba sendo recolhido e jogado fora pelos adultos. A narrativa sublime é varrida junto com o original, o diferente, o vivo e o não adestrado. É aí que estão as energias e os valores artísticos, tudo o que as crianças inventam e as relações que estabelecem paralelamente às atividades de arte desenvolvidas. O sublime é isso."

Anna Marie Holm, em Baby-Art - os primeiros passos com a arte.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Oz

Depois de ver uma edição pop-up – sensacional, diga-se de passagem – do Mágico de Oz que meu sobrinho ganhou no seu aniversário, fiquei tão extasiado que quase roubei o livro para mim. Mas como era meu sobrinho, eu acabei ficando com dó de tirar pirulito de criança.

Enquanto folheava o livro, eu comecei, sem muitas pretensões, a desenhar os personagens da história no sketchbook de bolso e, quando percebi, já estava levando o desenho mais a sério do que imaginei. Assim, resolvi trabalhar melhor o esboço inicial em casa e o concluí agora a pouco.

"Oz", grafite sobre sketchbook, 2011.

Como o desenho é muito pequeno, resolvi trabalhar com lapiseira 0,3 para acrescentar muitos detalhes. Por isso, apesar de ser um sketchbook de “passeio” e de esboços, passei de 3 a 4 horas trabalhando nesta imagem. Para se ter uma ideia melhor, basta observar a foto abaixo.


Como gosto cada vez mais de utilizar meus cadernos para trabalhos definitivos, não me senti, de maneira nenhuma, desestimulado com o formato reduzido, pois acredito que um desenho pequeno – assim como acontece muito com a gravura em metal que é, geralmente, pequena – chama o olhar do observador e o traz para mais perto do trabalho, criando uma intimidade e evitando o olhar rápido que enxerga tudo, mas nada vê.

Claro que eu não pude evitar e deixei o desenho bem aos meus moldes, meio bizarro e sem muitas frescuras. O problema é que, analisando melhor, os personagens não parecem do Mágico de Oz, mas sim, da série Oz da HBO. Para quem não conhece, Oz mostra o cotidiano de uma prisão americana de segurança máxima bem no estilo “sexo, drogas, muita violência e rock and roll”... Neste caso, o Homem de Lata, que está com um braço arrancado, o Espantalho, com cara de maníaco e o Leão (nada covarde), com a cara de “ai se eu te pego”, só indicam uma coisa: esta Dorothy vai rodar logo logo...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Demorei, mas desenhei

"Felipe", pastel, sanguínea, sépia, carvão e grafite sobre sketchbook, 2011.

Depois de alguns meses – para falar a verdade, alguns muitos meses! – de atraso, em homenagem ao meu sobrinho e afilhado Felipe que completou ontem 5 anos, terminei agora a pouco um desenho seu a partir de uma foto de quando ele ainda era recém nascido. Ele foi o primeiro a nascer, mas, não sei o porquê, só o representei agora.

A primeira cobaia nesse processo foi minha sobrinha Rebeca. Eu a desenhei a partir de referência fotográfica, assim como fiz com todos os outros. Mas apesar de a foto ter sido tirada por mim mesmo em seu primeiro dia de vida – 30 de julho de 2008 –, somente em 2010 eu resolvi retratá-la. O trabalho pode ser visto na postagem que levou seu nome, “Rebeca”.

Já no ano passado, nasceu meu sobrinho Lucas, irmão da Rebeca. Aí, sim, eu o desenhei e postei o resultado no mesmo dia do seu nascimento, 8 de agosto, na postagem intitulada “Chegou!”.

Pouco mais de um mês depois, nasceu minha sobrinha Letícia, irmão do Felipe, em 22 de setembro. Mais uma vez eu marquei presença no hospital logo no dia da chegada, e, claro, aproveitei para fotografar seu rostinho lindo. Na semana seguinte, eu a desenhei e compartilhei o trabalho na postagem “O milagre da vida”.

Todos os desenhos foram feitos com pastel, sanguínea, sépia, carvão e grafite, em páginas de papel kraft do mesmo sketchbook – o primeiro que fiz e que ainda encontro algumas páginas para rabiscar. Neste processo, ao contrário do que diz o ditado, os primeiros foram os últimos. Mas isto é apenas um detalhe. O importante é que agora eu estou aguardando os próximos sobrinhos para dar sequência ao trabalho...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Para entrar no clima do carnaval

Para entrar no clima festivo do carnaval, um desenhinho pequenininho, mas todo engraçadinho... Que fofinho!

"Kung Pum Panda", grafite sobre sketchbook, 5,5 x 7,5 cm.

Que mané fofinho... É muita cretinice, isso sim!

Este desenho foi feito durante a prova de um concurso no final do ano passado, a terceira etapa do PAS. Ele não entrou na sessão de retrospectiva porque como eu disse na primeira postagem sobre o tema neste ano, a ideia era apresentar desenhos que estavam perdidos, ou melhor, esquecidos no sketchbook. Mas como esse daqui eu me recordava perfeitamente, resolvi mostrar no momento oportuno.

Eu me lembro que estava só pelo corredor enquanto os candidatos faziam as provas, e depois de algum tempo sem conversar nada com ninguém, recebi aquele lanche magnífico do Cespe. Nele, além do suquinho quente, veio também um wafer – também muito cretino, diga-se de passagem – do Kung Fu Panda. Na verdade, do Kung Fu Panda 2! (Como se isso mudasse alguma coisa, né?!)

Depois de ficar distraído observando a embalagem do biscoito, resolvi fazer melhor – ou não – e acabei esboçando esta palhaçada no sketchbook.
O pior de tudo é que olhando com mais atenção, percebi que o local que apresentava o nome do personagem, que eu acabei mudando para o nome do concurso, ficou parecendo outra coisa. Posso dizer, então, que eu acabei fazendo uma releitura da “obra”, a qual eu chamei de Kung “Pum” Panda.

Assim, eu concluo mais uma vez com a discussão: quem disse que artista só faz arte todo o tempo?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Natureza em três etapas

Depois de uma eternidade parado, fiz novamente um exercício que até havia esquecido: desenhar a natureza in locus.
É bom respirar um ar mais puro, ouvir o som dos pássaros cantando livremente, sentir a brisa do vento à sombra das árvores. Esta é sempre uma experiência válida, mesmo quando a paisagem não é apenas natural e possui algumas intervenções humanas.

Fiz o desenho abaixo há umas três semanas na chácara da minha irmã, e acabei utilizando um processo diferente do meu usual. Geralmente, eu desenho primeiro para depois pintar à aquarela. Mas neste caso eu fui diretamente com a tinta sobre o moleskine, o que não proporcionou uma precisão muito grande para a imagem.


Em seguida - ou melhor, alguns dias depois -, eu continuei o desenho com caneta nanquim, traçando algumas linhas básicas e algumas hachuras, mas ainda de leve, sem muitos detalhes.


Por fim, escureci as hachuras e defini - ou não - algumas partes, como a grama, as folhas e a sombra das árvores.


Preciso voltar a praticar e a fazer este tipo de exercício. É bom para desenvolver a técnica, é bom para a mente, e é bom para a alma.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Again

"Sem título", caneta colorida e spray sobre skethbook.

Em momentos de desespero, o importante é dar o primeiro passo, mesmo quando ele parece te levar ao abismo.
Parece loucura ir em direção ao olho do furacão, mas, por mais estranho que pareça, é necessário fazer isto. Enfrentar os desafios é um mal necessário. Doloroso, maçante, sofrido, mas necessário.

Por isso, depois de alguns dias de novos vendavais, o bom filho retorna humildemente a sua casa. As aporias, contudo, não desapareceram por completo. Por completo? Quanto positivismo! Ao contrário, elas nunca desaparecem. Quando uma vai embora, sempre surge uma nova no lugar.

Por vezes eu me peguei pensando sobre o esforço demandado – por mais que não aparente – para manter a página sempre atualizada. A exposição virtual dos pensamentos verbais e visuais exige um tempo que nem sempre se encontra disponível, e a lógica de um blog, como todos sabem, é pautada nas postagens constantes. Afinal, para que voltar a um lugar que já se sabe exatamente o que vai encontrar?

Mas aconteceu algo engraçado estes dias. Em pouco mais de uma semana eu ouvi de umas 4 ou 5 amigos totalmente diferentes o mesmo comentário: “você não atualiza o blog faz tempo, hein?!”. A frase não era exatamente esta, mas o que importa é que, independente de qualquer coisa, tem sempre alguém voltando a este recinto por algum motivo. E isto me fez refletir sobre a maneira como estou organizando meu tempo.

Examinando um pouco melhor a situação, percebi que a maior lição que venho tirando da vida é que o bom mesmo é ter dúvidas, porque são elas que nos levam – ou pelo menos deveriam levar – a fazer escolhas, a arriscar e a lutar pelo que queremos. Quando aquele friozinho na barriga oriundo da hesitação do “fazer ou não fazer, eis a questão” nos incomoda a ponto de quase desistirmos, esta é a hora de olhar para frente e dar a cara à tapa com um novo primeiro passo em direção ao desconhecido.

É um mal do ser humano achar que no futuro as coisas estarão melhores, que no futuro terão a vida que gostariam de ter, que no futuro terão tempo para fazer o que não podem – sabe-se lá o porquê – fazer hoje. Eu prefiro ser mais dramático: se no futuro eu estiver morto, não aproveitarei o tempo que há de vir e tão pouco o tempo que estou vivendo.

Portanto, enquanto eu achar que vale a pena gasta, que vale o lápis apontado, que vale a tinta pincelada ou até a cola ressecada em um trabalho em que deu tudo errado, não me darei por vencido e retornarei a batalha. Contudo, não posso e não vou fazer previsões ou promessas, pois a impossibilidade de respostas claras só demonstra que no embate entre o certo e o duvidoso, a melhor opção, muitas vezes, está na segunda opção.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pensamento da semana

“Todas as linhas de estudo do fenômeno artístico – sejam por meio da sociologia da arte, da psicologia, da história da arte e até mesmo da biografia do artista – são conhecimentos sempre parciais. A leitura de uma obra de arte se dá por camadas, níveis, filtros esclarecedores; são aproximações que nos revelam muitas faces da arte.”

Rui de Oliveira, em Pelos Jardins Boboli – reflexões sobre a arte de ilustrar livros para crianças e jovens.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Em processo: descorticação orbital (parte 2)

Ainda no processo de conclusão da terceira gravura, abaixo pode-se ver a matriz já entintada, o que permitiu visualizar de maneira mais clara como ficaria a cópia depois de impressa.


Como já disse anteriormente, o fato de eu não ter desenhado em toda a matriz dificulta o entendimento do desenho, mas, mesmo assim, o resultado ficou de acordo com o esperado, e pode visto na gravura abaixo.


A ideia era obter uma imagem com bastante contraste, de modo que houvesse poucas hachuras e sombreados entre o claro e o escuro. Quanto a descorticação, a escolha pela região ocular no local de maior sombra deixou, na imagem, um ar mais sombrio, e o sorriso malicioso, um certo sarcasmo.

Eu aproveitei ainda, assim como nas outras gravuras já mostradas, o fundo chapado da madeira para compor o trabalho. Por isso, como eu havia planejado, não lixei muito bem a matriz para que os veios da madeira ficassem bem evidentes.

Na próxima e última xilogravura que mostrarei, feita no lado oposto desta, o fundo foi completamente retirado e o trabalho, mesmo seguindo a mesma série de imagens, ficou bem diferente. Mas comentarei sobre ela sem pressa um pouco mais para frente...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Devaneios Submersos

O sonho, independente da época observada, sempre foi palco de grandes mistérios para o ser humano. Filósofos, psicólogos ou psiquiatras desenvolveram ao logo da história teorias das mais diversas para explicar ou entender o que se passa durante o período em que fechamos os olhos e ficamos reclusos no universo do inconsciente.

Para mim, dormir sempre foi um grande problema. Desde criança eu tive problemas para lembrar o que acontecia durante as noites, sendo que em algumas delas eu até achava que havia sonhado com algo, mas nunca conseguia saber exatamente com o quê. Isso me levou – já há muito tempo – a pesquisar sobre o assunto, descobrindo que existem duas teorias a essa perda das lembranças oníricas. Uma delas diz que nós sonhamos todas as noites, mas algumas pessoas não conseguem registrar isto de maneira consciente e, quando acordam, esquecem com o que sonharam. A outra, diz que para sonharmos, precisamos entrar no quinto estágio do sono, o chamado sonho REM (Rapid Eye Movement, ou Movimento Rápido dos Olhos, em português), que só é alcançado quando o corpo está completamente relaxado. Logo, se por qualquer motivo físico, como o cansaço, ou psicológico, como o estresse, o indivíduo não chegar ao sono REM, ele não seria capaz de sonhar e, por isso, não teria lembrança nenhuma ao acordar.

É bem possível que estas teorias até se complementem, o que não posso afirmar, já que não sou nenhum conhecedor profundo do assunto. Seja como for, talvez por isso eu tenha me tornado, desde criança, tão sonhador – mas dos que sonham acordado, e não dormindo.

Ultimamente, entretanto, eu acordo sabendo que estava em uma viagem profunda e inquietante, daquelas que se fossem contadas em um filme, fariam o personagem acordar suado e ofegante. Eu até tento, mas não consigo me lembrar do que sonhei. Assim, refletindo sobre as várias noites conturbadas, de sonhos estranhos que desaparecem da memória ao despertar, comecei uma série de trabalhos sobre o tema, ainda muito prematuros, que, por hora, chamei de “Devaneios Submersos”.

Partindo de algumas imagens mentais e fotográficas, a ideia era relacionar a profundidade inconsciente com algo que envolvesse também grandes mistérios a serem descobertos. Para tanto, pensei no mar e nos seres que nele habitam para traçar essa relação.


A profundidade submarina apresenta tantos mistérios quanto à interioridade da mente. Quanto mais submerso, menos explorados são os mares, pois a pressão da água é tão forte impede que o homem obtenha qualquer registro mais preciso do que lá existe.


Assim, pautado em tais enigmas, resolvi trabalhar com os dois temas de modo conjunto, e concluí um primeiro estudo recentemente, e as imagens acima mostram partes deste processo. A primeira, o desenho somente em grafite e a segunda, já com o nanquim reforçando algumas linhas. Abaixo, o resultado final deste primeiro teste em aquarela e nanquim, que ainda tem muito a ser desenvolvido.


Não sei ainda se a ideia será trabalhada em aquarela ou alguma outra tinta, em grafite, nanquim, pastel, ou em todas elas. Vou apenas experimentar e permitir que o inconsciente se manifeste e se torne consciente através de linhas, forma, manchas e cores da maneira que ele achar melhor.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011 (parte 3)

Outros dois sketches perdidos – ou achados – do caderninho de bolso.

Para variar, estes foram feitos fora de casa, já que eu não costumo desenhar no sketchbook pequenino quando tenho a opção de usar um caderno maior, com papel mais pesado e com mais materiais disponíveis.

Apesar de não estarem em páginas consecutivas, resolvi postar os dois desenhos juntos apenas porque são de partes do corpo, mesmo não tendo uma relação mais íntima entre eles.

O primeiro foi feito durante uma aula do semestre passado a partir de um flyer de uma festa que peguei em um mural da própria universidade. Como o achei muito interessante, acabei reproduzindo de maneira simplificada a mão enrolada com fica adesiva e colada na parede branca ao fundo.


Já o segundo foi um estudo rápido de expressão do olhar feito no metrô. Nesta página eu comecei as anotações de uma aula de anatomia que acabou não rolando e, aproveitando o espaço em branco logo abaixo, desenhei este olho solitário e triste a observar sabe-se lá o quê. Eu até pensei em apagar as poucas palavras acima, mas para quê? Achei desnecessário acabar com a confusão e tudo ficou como está.


Mais uma vez a falta de maiores informações me impediram de lembrar exatamente para onde eu estava indo. Mas, seja como for, o importante é que eu fui e aproveitei bem o meu tempo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Puro sangue

“Há males que vêm para o bem”, já dizia o ditado. No meu caso, não sei se veio exatamente para o bem, mas sei que foi, no mínimo, divertido.

Enquanto assistia a uma aula de Psicologia da Educação no semestre passado, eu tentei aproximar a mesa que faz parte da cadeira universitária do encosto (que, teoricamente, seria móvel) para ficar mais confortável. O problema é que a mesa estava emperrada, e quando ela resolveu se mexer foi só pra arrancar a lateral do meu dedo...

Claro que não foi nada demais, mas como minha mão não parava de sangrar, comecei a viajar e a usar o caderninho de bolso para registrar de uma forma diferente a minha interioridade.

"Sem título", sangue acidental sobre sketchbook.

Trocadilhos a parte, enquanto fazia este “desenho” com manchas, lembrei-me do genial Yves Klein, um artista francês que é considerado um dos precursores da arte contemporânea. Dentre os seus trabalhos, os da série Anthropométrie estão entre os que eu mais gosto. São pinturas performáticas em que o artista entintava o corpo de mulheres nuas (ou pedia para que elas se pintassem) e depois fazia com que elas encostassem em telas brancas de acordo com a sua orientação. O resultado é magnífico, como mostrado abaixo.

Yves Klein, "Anthropométrie sans titre", 1960 (detalhe)

É claro que a ideia era muito mais complexa do que parece, e isto pode ser notado a partir do vídeo abaixo que mostra mais ou menos como ele trabalhava.


Na falta de mulheres nuas no meio da aula para a realização desta atividade lúdica, tive que me virar sozinho. Mas que fique aqui registrado o meu descontentamento com tamanho absurdo e revolta contra este ensino tradicionalista e ultrapassado...

domingo, 15 de janeiro de 2012

Pensamento da semana

"Não é um milagre a integração dos olhos no rosto do homem? Existe algo que possa ser um equilíbrio entre dimensão física e espiritual; volumes e superfícies, cores e formas encontram-se compensados pelos olhos, não pelo que os olhos são, mas pelo que os olhos fazem."

Eduardo Chillida, escultor.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Em processo: descorticação orbital (parte 1)

Nesta terceira xilogravura da série que produzi há pouco tempo, a temática continuou a mesma, o que não é novidade, mas a matriz foi diferente.

Nas últimas duas xilos, eu trabalhei com cedrana e utilizei os dois lados da mesma madeira, como já disse. Percebi, então, que ela é bastante rígida, com muitos veios escuros que mudam a rota da goiva durante a gravação e, por isso, certos detalhes muito pequenos necessitam de uma precisão absurda para serem alcançados. E mesmo assim, de vez em quando, a ferramenta segue a fibra da madeira e o detalhe que se queria, já era...

Desta vez, a matriz foi de cedro, uma madeira mais nobre, mais “macia” (este não é bem o termo, mas na falta de um melhor, vai este mesmo), com fibras mais suaves e com menos contraste entre elas e a cor da madeira, o que possibilita um desenho mais limpo, apesar de sua cor mais escura se comparada a cedrana. Abaixo, uma foto do prancha de cedro ainda antes de ser lixada.


Neste trabalho, eu não fiz nenhum estudo prévio para a imagem a ser gravada. Contrariando tudo o que aprendi, peguei o lápis e, partindo de uma foto qualquer encontrada no meu banco de dados – ou de imagens –, esbocei diretamente na matriz. O problema de se fazer isso é que se o trabalho for muito delicado, o próprio traço do lápis pode danificar a superfície deixando algum baixo-relevo indesejado, pois para ser riscado o grafite necessita ser pressionado sobre a superfície. Por isso, desenhei com um lápis bem macio (8B, se não me falha a memória) e, posteriormente, cobri o desenho com uma caneta de ponta porosa, como mostra a imagem abaixo.


A caneta de ponta porosa é um tipo de caneta semelhante à hidrocor (ou canetinha, como é mais conhecida), em que não é necessário fazer pressão no ato do desenho. Neste caso, a caneta que eu usei foi a base de álcool, ao contrário da hidrocor que, como o nome já sugere, é a base d’água. A vantagem dela é evitar que o desenho borre ou saia na mão durante o processo de gravação, o que não é nada divertido.

Eu cobri as linhas principais com uma caneta escura e com uma caneta vermelha delimitei o espaço aonde queria o desenho chapado. O certo seria cobrir com a caneta preta toda a área que não seria gravada, como se já estivesse passando a tinta para a impressão. Como mostrado acima, é totalmente desaconselhável, pois torna-se mais complicado o entendimento do desenho, além de aumentar a chance de erros no momento da subtração com as goivas. Como a madeira não permite erros, cortar no lugar errado é sinônimo de mais trabalho para modificar toda a gravação no meio do processo.

Na próxima postagem eu falarei um pouco mais da escolha do desenho, mostrarei a matriz entintada e a finalização do processo com a cópia impressa.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tons de pele


Estudo simples de tons de pele em aquarela sobre moleskine.

Os rostos não foram desenhados buscando a proporção real. Pelo contrário, o esboço rápido os deixou mais caricatos, com os olhos ou os lábios, por exemplo, um pouco exagerados, mesmo não sendo de maneira absurda.

O objetivo era realmente entender a relação entre as cores, como elas se misturam, como se complementam, como se sobrepõem em camadas, etc., além da diferença ente os tons de pele clara e escura. Este deve ser um exercício constante para o artista para que a execução de cada trabalho seja cada vez mais rápida.

Quando eu fiz a disciplina de Ilustração Científica, o professor sempre dizia que ao olhar para uma folha de uma árvore, automaticamente o ilustrador deveria saber quais tons (e quantidade) de amarelo e azul deveriam ser misturados para se alcançar a cor observada. Aqui a ideia é a mesma, mas com o foco na face humana, que é mais a minha praia. Como eu sei que eu estou longe disso, o jeito é continuar praticando. Ainda bem que, para mim, isto não é nenhum sacrifício...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011 (parte 2)

Mais duas páginas do sketchbook de bolso que estavam esquecidas pelo meio do caderninho que está quase no fim.

É engraçado porque a falta de informações não permite lembrar exatamente o contexto em que cada desenho foi feito. Claro que o fato de a área desenhável ser pequena influencia na decisão de rabiscar, escrever ou fazer as duas coisas juntas.

Páginas abertas do sketchbook.

Na página da esquerda, eu reconheço o lugar, que é a vista de uma das paradas em frente à reitoria da UnB, e a data, dia 6 de abril de 2011.

Página esquerda do sketchbook

Mas a da direita, que é um desenho feito apenas dentro de um ônibus e sem alterações posteriores, eu já não lembro muita coisa. Recordo apenas que o fiz em outro dia, indo para algum lugar que não era minha casa, e que o “modelo” estava dormindo profundamente.

Página direita do sketchbook.

Que bom que as coisas importantes ficam guardadas na memória por um tempo mais longo – ou pelo menos deveriam ficar – ao contrário dos acontecimentos cotidianos que vão se perdendo com mais facilidade. Seja como for, tentar recordá-las é um bom exercício para a cachola. No caso do desenho dentro do ônibus, lembro que o cara ficou na mesma posição por mais ou menos uns 10 minutos, que tinha uma mulher sentada do meu lado espiando de rabo de olho, e que o ônibus era barulhento, estava sujo e balançava muito – se bem que esta última parte é desnecessária, já que qualquer pessoa que anda de ônibus em Brasília sabe perfeitamente disto, e esquecer é quase impossível...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

2,5 mg de diazepam

"Sem título", nanquim e acrílica sobre moleskine.

Este, para mim, foi um trabalho totalmente inusitado, terminando muito diferente - e muito depois - do planejado.

Não era para ocupar duas páginas, para ter cor e muito menos para apresentar qualquer elemento que fugisse de um simples autorretrato. Eu comecei desenhando e, ao passar a caneta nanquim por cima do grafite, descobri o que eu não queria ter descoberto: eu não estava ali!

Bom, eu acho que o olhar e a parte da boca e do queixo até lembram um pouco as minhas feições, mas eu achei o desenho péssimo e a minha vontade depois de vê-lo pronto foi de rasgar e começar tudo de novo. Entretanto, fazer isto com um sketchbook costurado é quase impossível por dois motivos: primeiro, porque isso altera a constituição do caderno, podendo soltar uma página já trabalhada; e depois, porque, neste caso, se trata de um Moleskine (mesmo não tendo sido feito por mim e não sendo tão pessoal, só o fato de ser um Moleskine já dispensa comentários...).

Mas além disso, há também o fato do artista ter de se acostumar com seus erros e aprender a contornar e aproveitar cada falha de uma maneira positiva. Assim sendo, este desenho ficou dias parado no caderno, e enquanto eu estava puto com ele – ou comigo mesmo –, o sketchbook ficou fechado e isolado na estante, esperando o momento em que eu decidisse o que iria fazer. Então, certo dia eu estava olhando um livro “monstro” sobre emergências médicas – que comprei em um sebo (por um valor irrisório) para recortar ou desenhar diretamente em suas páginas –, e encontrei essas imagens que achei bem interessantes.

Alguns dos recortes me atraíram primeiramente pelo apelo estético. Mas outros eu achei interessante à relação entre a imagem e a legenda. No que foi colado na parte inferior do rosto, a legenda eu coloquei na vertical e diz o seguinte:

Fig. 23.1 EEG [eletroencefalografia] apresentando descargas espiculares generalizadas, notando-se a normalização do traçado após 20 segundos de injeção de 2,5 mg de diazepam IV.

Neste momento, sim, eu achei que o trabalho fez todo sentido, porque pesquisando sobre o fármaco citado, descobri que, basicamente, ele é usado como tranquilizante. No meu caso, eu precisei de vários dias de distanciamento para poder pensar no desenho com serenidade e para olhá-lo sem nenhum pesar ou ar de reprovação. No entanto, se eu tivesse uma ampola de diazepam em casa, talvez esse tempo de espera tivesse sido bem mais curto. (Hum, vou pensar melhor na ideia...).

Brincadeiras a parte, depois de coladas as imagens a conclusão do trabalho foi quase que imediata, e o resultado, mesmo eu não tendo ficado completamente satisfeito, bem melhor do que a primeira tentativa.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Pensamento da semana

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.



É, para o primeiro “pensamento da semana” eu não escolhi algo relacionado com a arte, como de costume. Escolhi um poema (apocrifamente atribuído à Drummond) que, acredito, ainda casa bem com o momento: o início de um longo ano que vem pela frente.

Que seja, então, não apenas mais um período de revolução da terra ao redor do sol, mas também, de evolução pessoal em torno dos mais íntimos desejos de cada um.

Comecemos, seja com o pé direito ou esquerdo, comecemos. Afinal, a caminhada precisa sempre dos dois passos, e o destino só se alcança andando, acertando, errando e recomeçando...

Boa semana a todos!

sábado, 7 de janeiro de 2012

More skull

Para não perder o costume, um pouquinho mais de caveiras (eu não me canso delas!). Mas, desta vez, a representação foi feita na técnica da xilogravura, a segunda tentativa depois da que mostrei por último aqui no blog.

Nesta xilo, porém, eu não registrei o processo completo, pois por conta do prazo de entrega tive de fazê-la correndo. Eu comecei e terminei praticamente só na faculdade.

A gravação foi feita no verso da matriz da primeira xilo, uma cedrana no tamanho de 14 x 19 cm. O registro que ficou, além da cópia impressa, é o da matriz depois de gravada e entintada, mostrada abaixo.


A impressão ficou, como de costume, invertida, e foi feita apenas com tinta preta. Eu não cheguei a fazer uma série da mesma, mas esta foi uma das melhores cópias tiradas, sem borrões e nem tinta em excesso, o que possibilitou a visualização dos veios da madeira no fundo chapado, como eu imaginei que ficaria enquanto estava gravando.


Apesar da rapidez da gravação, o resultado final ficou bem melhor do que a gravura anterior, já que eu consegui um maior nível de detalhes com mais qualidade. No entanto, como a matriz utilizada era a mesma da primeira, até o momento da conclusão do trabalho eu não tinha como dizer se algumas das minhas dificuldades eram por inexperiência ou por conta da resistência que cada tipo de madeira apresenta – ou pelos dois motivos. Somente quando fiz as gravuras seguintes eu pude tirar minhas conclusões. Mas isto eu deixo para falar em outra postagem.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mais profundo

"Sem título", nanquim e aquarela
sobre moleskine, 2012.

“De todos os órgãos essenciais à vida, o coração há muito que ocupa uma posição única na nossa história cultural, sendo considerado a sede da alma, do amor, dos sentimentos e do espírito.” (Encyclopaedia Anatomica).

Testando alguns materiais novos e estimulado pela frase acima, aproveitei para experimentar algo mais interior e resolvi estudar o coração. O engraçado é que só depois que terminei me dei conta de que o trabalho ficou, de certa forma, parecido com o cabeçalho do blog.

Pode ser só coincidência, mas pode ser também alguma daquelas coisas que o coração fala em silêncio e que as palavras não sabem traduzir...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011 (parte 1)

Chafurdando nos arquivos “ocultos” (ocultos porque alguns deles nem eu mesmo lembrava que existiam), achei algumas coisas que fiz no período em que não postei nada, e resolvi coloca-las na xinxa.

Estes mini desenhos foram feitos no sketchbook de bolso (5,5 x 7,5 cm) nos dois dias em que eu trabalhei no Enem (mas eu juro que eu fiz a minha parte e não tenho nada a ver com todos aqueles problemas que envolveram o concurso).

Página esquerda do sketchbook.

As duas páginas foram feitas sem nenhuma referência fotográfica, uma em cada dia, em que eu me preocupei apenas (como dizem por aí) em ficar “lambendo” o desenho, ou seja, desenhando sem pressa, cuidadosamente, com muitos detalhes como luzes e sombras e diferentes tipos de hachuras.

Página direita do sketchbook.

Aqui ficou bastante claro que o tempo que eu gastei em cada um deles não foi garantia para a produção de ótimos desenhos. Mas como o resultado final para mim não importava muito, o que eu realmente desejava era arranjar alguma atividade para passar o tempo e que não me deixasse dormir no ambiente de prova.

Páginas abertas do sketchbook.


















Moral da história: lamber sempre ajuda, mas só isto não garante muita coisa...