sexta-feira, 10 de junho de 2011

Exercitando a paciência

"Sem título". Caneta bic sobre sketchbook. 2011.

Indo para uma palestra hoje à noite, precisei contar com muita paciência para enfrentar o trânsito. E nada melhor para fazer isso do que a 'presença' de um sketchbook juntamente com uma boa música no mp4.

Quando comecei a desenhar, tudo estava fluindo bem. O problema foi que a velocidade foi diminuindo, diminuindo, diminuindo... até parar. Acho que o sketch até ganhou um tom dramático na medida em que minha raiva aumentava. É aquela famosa situação em que não há o que fazer. Descer do ônibus e voltar era impossível, já que a pista de volta estava ainda mais congestionada. O jeito foi esperar... e desenhar.

Fiquei pensando em um debate que eu estava vendo na tv um dia desses sobre a questão da leitura, em que um dos convidados comentava que os brasileiros, por não serem incentivados, não possuem tal hábito. Segundo ele, os europeus, ao contrário dos brasileiros, dentro de um ônibus ou trem, estão sempre lendo alguma coisa. Quem não lê é exceção. Dentro do ônibus que não estava muito cheio, notei quantas pessoas preferem ficar sem fazer nada, olhando umas para as outras, impacientes e reclamando, como se isso fosse resolver alguma coisa. Eu também estava reclamando, mas pelo menos estava fazendo algo mais.

É o famoso 'ócio produtivo': aproveitar o tempo que seria perdido para fazer algo mais útil. No meu caso, rendeu-me dois sketches feitos com caneta bic, sem aquela precisão ou limpeza. Desopilar a mente é preciso, seja com a leitura, com o desenho ou com alguma outra coisa que dê asas a imaginação.

A palestra foi sobre diário gráfico e processo criativo com o artista e ilustrador Renato Alarcão. Mesmo chegando um pouco atrasado, deu para ver muitos cadernos de artistas famosos, como os de Da Vinci, Picasso, Delacroix, etc., e de não artistas também, como os de Darwin e Tomas Édson. O diário gráfico, como já comentei aqui no blog, é uma forma de registrar ideias através de imagens, podendo, ou não, fazer o uso da escrita para auxiliar tal processo. Nos meus cadernos eu geralmente escrevo alguma coisa - como no desenho acima -, mas não me prendo as palavras. Às vezes eu posso até não conseguir descrever com palavras, mas sei que elas, de alguma forma, falam por si.

Fica aí a minha dica: um bom livro e/ou caderno para desenhar como quite obrigatório de sobrevivência. Não esqueça o seu antes de sair de casa.