quarta-feira, 6 de abril de 2011

Olhando para o céu

O tempo esses dias está uma loucura! Em Brasília não se sabe o que esperar mais do clima. O dia começa com muito sol, mais tarde fica nublado, vem uma neblina na hora do almoço, um pé d'água na hora da sesta, uma brisa mais para frente e, no fim de tarde, o sol volta trazendo o poente de uma tarde de primavera em pleno verão...


Nestes dias de tantas incertezas, gosto de parar e olhar para o céu. Ele, com suas incessantes metamorfoses, é, de certa forma, um reflexo do que sentimos, uma extensão dos nossos pensamentos, das nossas impressões, alegrias e tristezas. É, a meu ver, um espelho da alma.


O meu maior prazer quando posso parar e sair da rotina, em um dia como esses, é observar - e fotografar - o céu debaixo de muitas árvores, se possível até deitado no chão. Claro que, em um dia de chuva, o que menos se quer é deitar no molhado - a não ser nos casos em que o que se pretende é deixar a chuva limpar as impurezas impregnadas no espírito...


Gosto de me perder nos caminhos que cada galho faz até se mesclar no azul do céu. Do tronco, passando pelos galhos maiores, para os menores, menores e menores... até, quando é o caso, ver o verde das folhas (ou amarelo, dependendo da época do ano) pintar a paisagem como um quadro em pontilhismo.


Para alguns, soa um pouco - ou muito - exagerado ou excessivamente bucólico falar de algo tão corriqueiro com tamanha paixão. Mas para mim, estar em contato com a natureza e observar as irregularidades nela contida - como a dos galhos das árvores -, é me aproximar do indizível existente no invisível.