quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ipe Ipe Urra!


Como o tempo passa. Recentemente ouvi uma frase do escritor Zuenir Ventura em uma entrevista que acho que cabe exatamente aqui: "hoje o dia parece ter apenas 12 horas." E acho que é verdade. Para mim não parece, mas há exatos dois anos iniciei o blog com minha primeira postagem.

Na época, não sabia bem como seria o andamento deste "projeto", o que aconteceria em longo prazo ou por quanto tempo esta página permaneceria no ar. Comecei apenas escrevendo, nada de imagens. Deixei que minhas ideias, mesmo prematuras, falassem por si. E elas falaram.

É interessante notar como somos capazes de nos transformar quando nos propomos a fazer mudanças. Comecei em 2009 com os primeiros trabalhos que eu havia feito desde o início do curso de artes em 2007. Hoje, é notável a falta de integração entre eles. Alguns até parecem feitos por diferentes pessoas. Mas cada um deles foi um passo a mais nesta caminhada e que, por isso, não pode ser ignorado, mesmo que meus anseios e perspectivas hoje sejam tão diferentes daquelas do início.

“Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move”. A frase do educador Paulo Freire poderia ser facilmente atribuída a algum artista, pois é esse o ponto que move a arte, bem como toda a humanidade. Sinto que descobri o que realmente gosto de fazer, o que move meu trabalho como artista, através desta curiosidade, seja ela na forma de leituras e pesquisas sobre a representação do corpo, seja por meio da experimentação de materiais e técnicas. Tudo, claro, seguindo o método da tentativa e erro (muitos erros, diga-se de passagem).

Hoje estou com uma poética melhor definida, encaminhada, em processo, mas que precisa ainda de muito tempo – acredito que anos, até! – para ser concretizada e exprimir o que eu realmente eu desejo, representar o que realmente sou. Assisti há alguns meses a palestra do técnico Bernardinho. Ele, dentre outras coisas, falava da disciplina, insistência e persistência que um profissional deve ter se quiser ser realmente bom no que faz. É a regra dos 10 anos ou 10.000 horas. Este, segundo ele, é o tempo de trabalho necessário naquilo que se tem paixão em fazer para alcançar resultados significativos. Estou cada vez mais acreditando nessa teoria.

Neste momento de produção constante e incessante, vejo que quanto mais eu trabalho, mais longo parece o caminho que tenho pela frente. Se faço um desenho hoje, por exemplo, amanhã já observo pontos a melhorar. Outrora eu demoraria dias ou até meses para que enxergasse certas coisas. Isso quando não percebia estes mesmos pontos somente quando outra pessoa os indicava. Aos poucos desenvolvo um olhar mais crítico e exigente sobre mim mesmo, pois acredito que o artista deve ser seu crítico mais severo, e é esta uma das minhas metas diárias.

Em todo este tempo de trabalho – ainda pouco, como já dito – muita coisa mudou, e vejo isto como um ponto extremamente positivo. E o blog foi um dos instrumentos que impulsionou estas transformações. Por muitos momentos (e quem acompanha desde o início sabe disso) quase o abandonei por diversos fatores. Mas a persistência é fundamental para se alcançar o pico da montanha.

Por isso, hoje queria apenas agradecer a todos os amigos que me incentivaram a continuar e que fizeram parte de todo este processo. Obrigado aos seguidores, aos que comentaram em postagens, aos que perguntaram, questionaram e divulgaram. Obrigado também aqueles que não fizeram nada disso, que apenas uma ou duas vezes por ano (talvez nem isso) deram aquele “confere” por aqui. Obrigado também aos que estavam só de passagem, que entraram aqui por acaso, navegando pela net, e que nunca mais voltaram...

Por fim, cito as palavras com as quais concluí a primeira postagem: “obrigado pela visita e, mais uma vez, sejam todos muito bem vindos!” Sintam-se sempre em casa para aparecerem quando quiserem.

Hug of the bear, people...