quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ilustrando a leitura

Relendo um dos poemas do maior poeta que o Brasil já viu, Carlos Drummond de Andrade,  comecei rabiscando sem muitas pretensões - e até sem me dar conta do que fazia - a ilustrá-lo.

É sempre arriscado dar materialidade a algo que se encontra apenas em visões geradas por palavras e seus diversos significados. Não se trata nem mesmo de tanta representar exatamente o que o escritor quis dizer, já que, depois de escrito, o texto adquire vida própria sob o olhar de quem o lê, não tendo mais apenas a visão de seu criador. A questão é que - citando o tão conhecido dito popular - se uma imagem vale por mil palavras, há também, em alguns casos como o do poema a que me refiro, ocasiões em que poucas palavras valem por muito mais de mil imagens.

Então, antes de mais nada, deixo logo o meu pedido de desculpas aos mais 'xiitas' que provavelmente não gostarão do trabalho. Eu mesmo acho que tais palavras merecem muito mais do que eu posso representar. Mas como exercício, bem como na tentativa de compartilhar da tão bela visão do poeta, creio que ser válido o esforço.

Abaixo, a ilustração sobre um dos cadernos artesanais feita em técnica mista - nanquim, pastel, carvão, aquarela, acrílica, spray e colagem (aproveitei que tinha o texto impresso e colei-o também na página). E, para concluir, o poema de Drummond.

"O chão é cama", técnica mista sobre papel, 2011.

O Chão é Cama

O chão é cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama.

E para repousar do amor, vamos à cama.