segunda-feira, 11 de abril de 2011

E agora, José?


Esse tem sido um momento de grandes mudanças em minha vida. O meu curso está quase no fim e além das dúvidas que quase todo formando tem, como as de mercado de trabalho, por exemplo, a busca por desenvolver ainda mais a minha poética está cada vez mais intensa.

Conversava exatamente sobre isso ontem, dizendo que, na universidade, quando converso com estudantes de outros cursos e eles perguntam quantos créditos nós, de artes plásticas, podemos pegar por semestre, eles sempre comentam: "Nossa, só isso?", ou "Quem me dera poder pegar poucas matérias assim...". Mas a questão é que, se na maior parte dos cursos os estudantes apenas leem para compreender e introjetar um determinado conteúdo, nós, além de lermos bastante, devemos conseguir colocar para fora o que temos em mente; vomitar uma inquietação, um incômodo, um dilema; expelir o que nos move na forma de um trabalho físico - ou não - atrelado a uma estética que não pode ser definida apenas com palavras. Ora, se assim fosse, não desenharíamos, pintaríamos ou esculpiríamos o que quer que fosse; escreveríamos um poema, uma dissertação, um livro.

No meu caso, o desenho acima é um exemplo desses dilemas. Esse é mais um estudo que pode virar tela, mas que não necessariamente diz tudo que eu quero dizer - mesmo porque, como acabei de escrever, nem tudo deve ser explicado; deve, ao contrário, ser sentido. Mas como colocar todo esse sentimento através de uma materialidade? Que estética é mais adequada? Que linha, formas, cores, tamanho, posição?... Tudo são dúvidas que não param um minuto sequer de atormentar a minha mente. Onde quer que eu vá, o que quer que eu faça, elas estão ali, mostrando-me empiricamente a sabedoria de Sócrates: "Só sei que nada sei."

Mas, como o curso está findando, tenho que saber de alguma coisa. E sei que saberei na hora certa. Agora, saber que momento será este, quanto tempo ainda demorará para acontecer ou quantas noites de sono mal dormidas e interrompidas ainda terei pela frente, já são outros quinhentos.

Por hora, termino a postagem como Drummond, o maior poeta brasileiro, termina um de seus mais conhecidos poemas:

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?