quarta-feira, 13 de abril de 2011

Do fundo do baú (mas nem tão fundo assim...)

Estudo para "Natureza Íntima". Aquarela sobre papel Fabriano. 60x58 cm, 2010.

Apesar da data de postagem, esse foi a primeira tentativa de colocar em prática os estudos que fazia inicialmente da série Natureza Íntima.

Na época, pensei em desenvolvê-los em papel e aquarela. Mas, como percebido em outras postagens, decidi pelo caminho do óleo sobre tela. Não se trata, em hipótese alguma, de valoração de uma técnica em detrimento de outra, já que é uma grande falácia acreditar que o trabalho em tela, simplesmente por ser em tela, é superior a um trabalho feito em papel.

Estudo para "Natureza Íntima" (sketch)

O papel tem as suas peculiaridades e dificuldades, bem como a sua conservação e cuidado diferenciado. Entretanto, isso não o desqualifica em nada. A aquarela é uma técnica fantástica e se usada corretamente, ou seja, com tintas de boa qualidade e suporte apropriado, sua durabilidade é a mesma, ou até superior, a durabilidade de uma tela. Prova disso são as aquarelas de mais de 500 anos de Albrecht Dürer que, se observadas de perto, continuam com o mesmo brilho e vida de quando foram feitas.

Estudo para "Natureza Íntima" (detalhe).

O motivo que me fez escolher a tinta óleo não foi nem necessariamente o impacto que ela pode causar, já que também é possível alcançar resultados bastante realistas com a aquarela - eu já vi até, acreditem, trabalhos hiper-realistas com lápis de cor! Escolhi esta técnica porque foi a que mais me dei bem desde que me empenhei na pesquisa e experimentei intensamente os materiais. A tinta óleo respondeu melhor as minhas expectativas, apesar de eu gostar muito de trabalhar com aguada.

Estudo para "Natureza Íntima" (detalhe).

Seja como for, esse trabalho apresenta várias coisas que acredito, neste momento, já com algumas ideias mais amadurecidas, não fazerem mais parte do que pretendo alcançar, como esse elemento mais narrativo presente neste tríptico. Há outros elementos como a sobreposição de camadas, as cores escolhidas e o fundo que também não repeti nos trabalhos posteriores.

Mas, como tudo é um processo contínuo, não me arrependo de tê-lo feito desta forma, bem como de mostrá-lo, já que, se alguém olhar para ele hoje e me disser que prefere algum trabalho mais atual pelo motivo que seja, já ficarei mais satisfeito com esse amadurecimento...