terça-feira, 15 de março de 2011

Em processo: Natureza Íntima 2 (Parte 2)

Continuando a postagem sobre o processo da segunda tela da série Natureza Íntima.

Abaixo os músculos concluídos.



Começando a pintar os cabelos.



Diminuindo a altura dos cabelos.



Ainda na parte dos cabelos e do rosto.



E, finalmente, a tela concluída.
Do início para o final modifiquei a forma do rosto, a altura do cabelo e sua posição, os olhos, a boca e a cor da pele. É interessante ver como a obra jamais é hermética, jamais é "autossuficiente". Ela precisa do artista da mesma forma que este precisa da mesma.

Natureza Íntima 2. Óleo sobre tela, 54x64 cm, 2011.

Cada vez mais percebo que ao começar um trabalho, sempre o imagino de uma forma que ele jamais possui ao estar concluído. E durante todo o seu processo de feitura, o melhor de tudo e o diálogo que se estabelece entre mim e o suporte - seja ele papel, tela, cera, metal, ou o que quer que seja. No momento em que ele recebe a primeira manifestação do que outrora estava apenas no meu "mundo das ideias", como o primeiro traço ou a primeira pincelada, vai aos poucos ganhando corpo, ganhando vida, e, quando percebo, a obra controla mais o processo do que eu. Ela não pede, ordena; eu não nego, apenas faço.

Esse diálogo, essa conversa nem sempre amigável - muitas vezes uma briga -, é simplesmente inexplicável e misteriosamente viciante. E o melhor de tudo é que é muito bom estar cada vez mais dependente disso...